sábado, dezembro 26, 2009

FUGAZ

Ontem
Completamente distraída
Penso que  o amor
Deitou ao meu lado

Hoje,
Nada me é recordado...

Ao amanhecer, apenas
O cheiro do gozo
No amarrotado da tua saída
...

Maris

quarta-feira, dezembro 23, 2009

domingo, novembro 01, 2009

Hoje,
Quero apenas agradecer...
Obrigada!




GEMINIANA
Inês Bicudo


Não sou uma
sou várias
Não sou única
sou muitas
Cem dívidas
Mil dúvidas
Quero tudo
tanto....e sempre
do início ao fim,
Sempre “a fim”...
- Geminiana?
Sou, sim!!
Sou do extremo
Sou do inverno
Quando estou do contra,
ah...é um inferno!
Quase tenho um acesso
De repente, tudo muda,
é o inverso:
nessa hora, viro do avesso
E aí, faço um verso !

quinta-feira, outubro 29, 2009

REFRIGÉRIO

Bom, este poema que fiz, achei definidor de ao menos um lado do gênio, da personalidade desta mulher super bacana, metaleira doida (num bom sentido é claro, no melhor), mas acima de tudo um encanto de pessoa. Lá vai:

REFRIGÉRIO

James Vasconcellos de Lima

Eu tenho um pássaro cansado
sobre os caminhos de minha palma.
Eu tenho duas asas brancas
que ao deslizarem sobre a alma
refrigeram os sonhos brandos.

Eu tenho, desde sempre, arado
o campo vasto das verdades.
Parece até que os rios deixaram
de andar entre estas pastagens
esverdeadas e sombrias.

E o pássaro cansado bate
as asas, viajando ao leito
do êxtase total, entre a palma
que nunca se abre e o peito
que pranteia ao pôr da vida.

18. IX. 08

segunda-feira, outubro 26, 2009

ANGÚSTIA




Ando correndo tanto, rascunhando a vida... Que talvez eu não tenha tempo de passar a limpo. E quando paro, coisa quase improvável, sinto ainda mais a angústia de quem se distancia mesmo que esteja se buscando.
A sensação é que vivo só de ensaios, quando no fundo há um frio na alma de quem sempre está estreando.


Maris

Esquecimento




É curioso como a gente se esquece por aí.
Ontem, me encontrei numa gaveta: envelopes com cartas amareladas pelo tempo, cartões de aniversário e uma lista de prioridades para o ano...




Maris

segunda-feira, outubro 12, 2009

EU









Me armo tempestades
Desabo sobre calçadas
Que deslizam sonhos e
Evaporam no ar...

Me aconchego rede
Sob a luz dos postes da estrada
Em madrugadas frias
De varandas e quintais,
Devassada...

Me entrego lua
Apesar da possibilidade
Do desencontro e
Adormeço ao sol da despedida...


Escorro água
Entre os dedos tolos
Que tentam
Dominar...


Entre tantas, tantas sou
E não encaixam


Hoje, sou eu mesma
Destituída
Por essa outra que encontro


Ah, tenho dito ao espelho
Te amo!
Quando me acho...

Começo a perceber
Na vida, essas
Que ainda ensaio...

Eu me sabendo
A cada dia...
Aprendo a respeito
Das feridas
Que me curaram


Maris


"Eu estava rusticamente guardada em minhas cascas espessas" Maris





domingo, outubro 11, 2009

ACALANTO






Lembro que
Sentava no teu colo
Nas tardes em que te visitava

Certa vez
Vestia tecido floral
Que inspirava brandura

Era como leito no desalinho
 Do tempo apressado
Aconchegado de rugas
Da tua doçura


Lembro o cheiro de alfazema
Diluindo as inquietudes
Que se misturavam
Às tuas cantigas
Em imagens coloridas


O tempo passa, vó
Feito teu talco
Que se espalhava depois do banho
Ficaram as sensações de cores, cheiros
Sabores da tua passagem
E não te alcanço
Com minhas vistas

 Sinto saudade
De vê-la  assim, na cadeira
Espreguiçada


Vê-la  Senhora
Testemunha da vida
Escritora de obra inacabada


 Ainda te vejo
Com olhar tão distante e sereno
Despreocupada

Como quem já tivesse
Desfeito os laços
E de malas arrumadas
Esperasse apenas a despedida... 


MARIS 

Foto de 1918 - Restaurada por Guilherme Motta. Foto de Antônia Maria Motta


domingo, agosto 23, 2009

LUA DE CECÍLIA





Não que eu
me compare à Cecília
Em seus canteiros
por onde corria

Nem mesmo ao retrato
Em imagem envelhecida
Dessa alma tão bela
Nos tons pastéis
Do desencanto

À sua canção
E murmúrios
Espalhados
Em versos

Mas
Me percebo
Lua
De fases
Por ela
Anunciada

Que
Deixa
Rastros
Entre mortes
E surgimentos

Engravidando
Minguando
Crescendo

Aborto
em
Movimentos

Num silêncio
Misterioso
De quem
vive
Se
metamorfoseando

E entre espasmos
Uma dor uterina
Se derrama

Ah, Cecília
Não
Me basto
Das
Explosões
De luzes

Me fazem falta
Outras fases,
As explosões do amor

Maris




Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles



Lua adversa

Cecília Meireles

Tenho fases, como a lua
Fases de andar escondida,
fases de vir para a rua...
Perdição da minha vida!
Perdição da vida minha!
Tenho fases de ser tua,
tenho outras de ser sozinha

Fases que vão e que vêm,
no secreto calendário
que um astrólogo arbitrário
inventou para meu uso.

E roda a melancolia
seu interminável fuso!
Não me encontro com ninguém
(tenho fases, como a lua...)
No dia de alguém ser meu
não é dia de eu ser sua...
E, quando chega esse dia,
o outro desapareceu...

sábado, agosto 15, 2009

Floresce...






Despejo
Em vinho doce

Inebriando
O coração
Nem sempre heróico

Guardado
Nas falsas torres
Que nos encerram

Desce

Até à bainha
Do linho
Que nos veste
Ou à lâmina
Da espada
Que te
Deserta

Pois
Nem senhores
Nem vassalos
Nem servos
Ao mágico precipício
Não se curvam

Tem sido o elixir
Que suaviza as dores
Liberdade de "malfeitores"
Nas épocas que a penumbra
Da culpa nos perturba
Nos persegue

Salva-me

Perco-me em preces
À espera da presença tua 

Quando
Ervas perfumam
A palha de doçura
E o dia orvalhado
Espalha vida
Por tanto sonho
Que não cabe,
Floresce

Será loucura?

Irradio
Tanta luz
Ao teu lado
Que os monstros
Que assolavam
À noite escura
Há muito não me acham

Teu corpo
Tem as vibrações que
Perpetuam o som nas alturas
Dos alaúdes, rabecas e flautas
Em que me encaixo

Vejo brilho
Nos campos de trigo
Que nos cercam...



Maris
☆ ☾ ☆


Ouvindo Blackmore's Night

segunda-feira, junho 22, 2009

domingo, junho 21, 2009

LIVRE




Essa alegria que te espanta, sou eu me descobrindo... Nas vagas dos carros, nas músicas do quiosque da esquina, na trajetória dos rios. Sou eu seguindo nas conversas que cruzam a madrugada, no céu que contemplo, nas folhas que voam pela calçada... No sol que invade a varanda, nos gritos dos meninos. Ocupando espaços, permitindo...

No som silencioso que cultuo e no silêncio das melodias que sussurram aos sentidos, sou eu...

Sou eu na cor das pétalas de tantas flores e no perfume que exalam.

Não que eu me envaideça, mas me percebo por toda parte. Plena e viva nos tons, sabores e na energia positiva que me toma. Essa alegria é o encontro. O encontro antes mesmo que chegasses como quem antecipa o meu caminho, sem me permitir viver toda a beleza do percurso.

Já não desejo te reencontrar, apenas viver seguindo...

Maris

domingo, junho 14, 2009

OS DIAS AZUIS

Sim, os dias vêm azuis!

Coloridos de saudade,
Rosa de ternura e
Esperança verde
Que invade...


Sim, os dias vêm azuis!

Coloridos de ventura,
Dourados de amarelo
Sol, ouro que reluz
Iluminando a eternidade.


Os dias vêm azuis!

De violetas em flores,
Verdes das árvores...

Vermelhos em sorrisos,
Roxos em sabores de uva...


Marrom e laranja no solo
Onde caminho com vontade!


Sim, os dias vêm azuis
Num indigo jeans que me veste...


Sim... azuis

Branco, paz...

Arco-íris de possibilidades...


Há mais cores pra vida
Nas gotículas iluminadas
Por onde se colore
O que é realidade...

MαгЇS

domingo, maio 24, 2009

domingo, maio 10, 2009

Dias Que Me Perco




Me

Perdi


No som

Em notas

Que saíram

Da tua boca



Confundi movimentos

Com esperanças

Tolas



Esqueci



Eis que ainda

Me perco

Esses dias


Por ruas

Que já conhecia




Quando

Pensava

Me saber

Tão minha



Culpa

Dessa alma

Sonhadora





☾☆ ΜΔяїS



terça-feira, abril 21, 2009

O AMOR QUE TU TINHAS...




Ele prometeu a ela as estrelas, esquecendo que não conseguiria alcançá-las com as pernas curtas de suas crenças. Era preciso muito mais que promessas. Precisava sentir, acreditar! Ter com elas.

Além disso, lhe faltava coragem para buscar os sonhos e desfazer-se de tudo que era excesso, tudo que o tornara pesado e preso ao solo do planeta... Onde girava, girava... acostumado ao seu movimento secular.

Carecia amar como o apóstolo Paulo escreveu em suas cartas, como Camões sublimou através de sua pena... Amar-se como Santo Agostinho que buscava conhecer a si mesmo.

Triste perceber que o amor que ele tinha era pouco e se acabou...



Maris

segunda-feira, janeiro 19, 2009

Em Setembro de 2003



Aquela chuva
foi Deus
nos meus
olhos
há muito
embaçados
explodindo
em sons
a dor
de trevas
e trovoadas
no meu
peito
aquela chuva
foi Deus
nos meus delírios
diluindo
ilusões
em
raios
que caíram
tantas vezes
ao meu lado
...

Foi ela
tocando
as cordas
no momento
dissonante
o diapasão
de sentimentos
pra colorir a
minha aura...
descobrindo tons
esculpindo em nuvens
Abrindo estradas
foi assim que
bruscamente
entendi
o que é
adeus
em 2003

Maris

segunda-feira, janeiro 12, 2009

segunda-feira, janeiro 05, 2009

Da primeira vez que andei ao teu lado...





Molhada

A noite se espalha

em pranto

doce


Escuro ao longe, o canto

da farpa que

me fere,


seta

incendiando

os mais etéreos desejos...


E não me pergunte

que sensações são essas que

ensaio


Me esvaio nua...

correndo

ao leito, ora

evaporando ao teu lado.


Só me protegem

as palavras

que calo


E a mordaça

de estrelas

que libertas

nos beijos


...


Iluminou-se

a noite

brilho feito

do teu arco


flecha

do meu zelo


E ela se espalhou

em pranto

num canto


Doce...

Desaguando


E como desagua...

morrendo nos teus braços

mas sem medo...


Maris

domingo, janeiro 04, 2009

OFÍCIO DIÁRIO


Ando
entediada
dessa “normalidade”
que nomearam
“vida”


Das formigas
que se esqueceram cigarras...

Cigarras
que se esqueceram formigas...

Dessa vida alienada
de mim.

No hoje atemporal
do meu peito...
pelas manhãs
adormeço
o ontem...
à noite,
acordo
futuros...

Pedi calma
ao meu templo.

Diariamente
é tempo consciente.


E
em tudo há tempo,
um tempo
que é de cada um.

Essência!

Meu
ofício de seguir
estanque
desses tempos
"alienados de viver"...

Maris